terça-feira, 22 de maio de 2012

Mais do que vontades voluntárias


Me queira, me espreita, me ajeita, me aceita. Me revira a cabeça, me deixa do avesso, bagunça de um jeito que não dê mais pra desbagunçar. Me enrola, mas que seja em volta dos teus braços, me engana mas que você me ligue na madrugada contando que não consegue dormir pensando em nos dois e não vê a hora de me ter novamente. Porque o amor é muito mais do que vontades voluntárias é fazer sem porquês, e agir sem mais delongas e estar junto e querer sempre mais. Sempre mais de você em mim, ter medo de enxergar o fim e por isso fechar os olhos pra não ter que ver o que não é necessário. Amor é arte, é música, e expressão corporal boca na boca, mãos nas mãos. Amor é é pular de um abismo sem nem ao menos perceber por estar focado em quem o faz pular. Amor é doença, descuida e quando vê adoeçe, e como qualquer vacina o vírus que lhe faz doente, é o mesmo que te cura.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Tenho andando desorientada, procurando um ponto de apoio mas tudo que enxergo é um incessante breu mental que insiste em estender-se por tempo indeterminado. Cadê tu, que costumava ser base de apoio? Que guiava-me entre espinhos? Tenho arrastado-me por noites e dançado o ritmo da melancolia que tomou posse de todos os meus dias. A sua música não para de tocar, mas minha vontade incontrolável de destruir o rádio é maior ainda. Destruir a voz que torna-se repetitiva na minha memória, destruir o maldito sorriso sem jeito. O mesmo que me fez acreditar no ridiculo conto onde você era o mocinho incompreendido, o toque que ainda se faz presente na minha pele, o selo dos lábios, o abraço tão seguro, e por fim você; que soa tão ridiculamente falso. Uma fraude; uma mentira que eu amo contar, o meu porto nada seguro, imaginar que quem abrigava-me, me deixaria um dia ao relento não estava nos planos, insano. Você, tanto fez que conseguiu, mas a única coisa que permito-me sentir é nojo. Nojo por alguém que não se deixou sentir por inteiro e que tratou com ingratidão quem só queria cuidar de alguém tão cheio de lacunas. Mas espero ansiosamente tornar-me mais uma das milhares dolorosas lacunas que você insiste em carregar.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A flor.

E até quando tu vai bloquear minha luz para que não entre na tua varanda de lembranças? Até quando voce vai fingir que meu sorriso não está gasto e perdido em tua memória tão vaga do meu rosto que a tanto tempo já não te procura em meio a multidão? Talvez eu não queira mesmo mais encontrar-te por aprender que uma flor sem cuidados murcha, mas sempre haverá um dia de chuva mais forte que não de início mas dias após a fará bela novamente. E assim como uma flor, eu sou. Tu tanto me murchastes que precisei dos meus dias chuvosos para me recompor, mas já não ando cabisbaixa e pensativa. Já não procuro mais alternativas e não planejo mais formas de como te-lo de volta e ao invés disso, procuro uma formula para manter-me assim; tão seguramente indiferente em relação a você. Que pela ausência do teu carinho procuro um outro aconchegante abraço, outra boca doce feito mel e que poderá sim arrancar-me de ti.

O incerto (você)

E me desespera o incerto. Não poder planejar qual vai ser o próximo passo ou se haverá um me assusta, e pela primeira vez não ter o controle da situação me amedronta. Eu quero muito, mas sera que é ficar perto ou ficar longe? É possível querer ambos? Porque se for é assim então que venho desejando. Uma distância confortavelmente próxima. Ora quero você colado, ora quero também. Será que em algum momento desejei você realmente distante? Ou ter as coisas todas no lugar? Você é uma bagunça, e adora me bagunçar também, por que não então sermos uma única bagunça? Desculpe-me, mas não descarto jamais o desejo de poder um dia te bagunçar também, da mesma maneira em que tu revira as coisas do avesso, e me faz ver as coisas por um outro ponto de vista, o que era errado vira certo e eu já não sei mais de nada. Mãos nas mãos, um empurrãozinho aqui, um tapinha ali, e estaremos colados novamente. O que será que acontecerá? A única coisa que sei é de que tenho medo, muito. Mas medo maior e perder você de vista.

domingo, 11 de março de 2012

O que te faz ter certeza de que não estava certo? De que aqui ao meu lado não é onde tu pertence? Quem foi que um dia ditou que amor teria que haver um fim? Por pior que seja, nada compara-se com a dor de te ver partir. De te ver recomeçar, e reconstruir tudo aquilo que aqui foi destruído. Você me tornou uma bagunça, mas nem sequer me importo de reorganizar-me, te ver por todos os cantos me machuca, mas acalma-me e não quero colocar tudo o que é teu no devido lugar. Não quero me reprogramar. Guardar você em um lugar onde eu nunca mais possa encontrar me causa calafrios e nem por um minuto sequer poderia ser feliz se comigo não houvessem lembranças do que restou.


Meu Ágape.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Qualquer texto


"Qualquer coisa" em um lugar qualquer da cidade, qualquer alguém que por alguns minutos me faça sentir alegre novamente, tanto faz. Já que esta não é a primeira e nem de longe a ultima vez que sinto esse buraco grandioso dentro de mim. É ausência, solidão, carência e incompreenssão tudo o que você juntou e fez com que eu engolisse por tempos.
Foi aí então, que você me ofereceu uma alta dose de indiferença, que embreagou-me e não me deixou o ver partir. Quando notei estava só, tomando mais uma dose em qualquer lugar longe daqui. Onde tudo não parecesse tão solitário e tristonho onde tudo não fosse qualquer coisa para mim. Sei lá. Que a noite acabe. Que o dia amanheça. Que essa saudade e vontade de ter você perto de mim termine, "qualquer coisa".

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A chuva



Talvez quem saiba, eu encontre no amanhã, vestígios do que se concretizou no passado e por muito vi acontecer. E que nesse futuro tão distante e incerto eu encontre também você, que sempre me fecha as janelas, mas deixa frestas para me ver passar em frente a tua casa.
A casa que abrange a desordem, e não tem teto depois daquele dia em que eu parti. Desde então, a chuva da solidão te molha todas as noites quando tu encostas teu rosto no travesseiro, e se recorda de como nós éramos imperfeitos juntos e tenta entender o porquê de tanto amor sentir. Saibas que infeliz vou levando, observando chuva pós chuva, sabendo que não sou mais o centro do teu mundo. Não é mais em mim em quem tu pensas quando o céu tarda. Não é por mim que tu desejas quando olha as estrelas. E desde quando eu parti, nada mais sentido faz, até o que foi bom antes hoje já não é mais e eu já não sei mais o que pretendo por aqui. Na tua frente, dilacerada tentando-o fazer entender que voltar é perder tempo, pior é longe de você e no final quem não entende sou eu.
- Faça parar chover aqui dentro! Ordenou!
Quanto mais chove mais inundada de saudade e impura fica e logo já não será mais o que um dia era. Eu só peço-te, que pelo amor de Deus faça parar chover, pois preciso reconstruir meus caminhos e a chuva lá fora não me deixa sair de dentro deste meu passado, e vai levando tudo que encontra pela frente. Casos, amores ou mesmo só mais uns que tentam se infiltrar nessa minha masmorra trancada com mil cadeados, possuindo a chave de cada um deles. Mas, a tempestade em cima de mim não permite libertar-me e eu morro de medo do lado de fora, mas morro de tristeza pelo lado de dentro quando procuro em mim e não acho se quer um vestígio seu.